Conteúdo da Faixa Azul
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Neste texto, vamos discutir como fica a ética diante daqueles que acreditam em destino. É possível ter um comportamento justo e correto em uma sociedade artificial em que nossas liberdades de escolha são pequenas? Qual a relação entre ética e o chamado livre arbítrio? Preparem-se! Vamos iniciar mais uma jornada.

Comecemos com um dos mais brilhantes filmes do século XX. Trata-se de "Blade Runner - O caçador de andróides", um filme dirigido por Ridley Scott. Lançado em 1982, foi considerado um clássico da ficção científica. O filme começa no ano de 2019 e mostra a famosa cidade de Los Angeles dominada por orientais e estrangeiros exóticos. O cenário de degradação da cidade é agravado por uma permanente chuva ácida em meio a gigantescos outdoors e luminosos publicitários. Parece que a humanidade, enfim, conseguiu estabelecer, com a destruição ambiental e com um ritmo ecologicamente insustentável, o seu derradeiro ambiente cinzento.

Este é apenas o pano de fundo da história. A humanidade havia criado seres especiais, nascidos da engenharia genética, parte robô, parte biológico, para realizar tarefas enfadonhas ou perigosas do dia-a-dia. Seres criados em escala e nos laboratórios da Corporação Tyrell. São os andróides ou replicantes.

Será que um andróide deste tipo, feito de carne e osso e mais de um monte de circuitos eletrônicos e devices digitais, é um ser vivo ou apenas uma máquina? Se for um ser vivo, temos logo uma outra questão que surge imediatamente daquela anterior: qual a diferença entre um andróide e um escravo? Alguns diriam que a diferença está nos sentimentos. Se um andróide for capaz de sentir, esta diferença desapareceria. Como poderíamos definir o que seriam os sentimentos? No dicionário, a primeira definição é 'capacidade de sentir'. Sentir é 'perceber por meio dos sentidos'. Então, todos os seres têm sentidos, mas alguns podem ter sensação dolorosa, sentir tristeza, pressentir perigos ou sentir felicidade. Um andróide sente alguma vontade? Uma máquina que possuí inteligência artificial pode sentir algum desejo?

Independentemente disto, a escravidão era e é um dos mais abomináveis fenômenos promovidos pela humanidade. Um homem que não é livre e que não pode tentar mudar sua vida e realizar seus desejos, talvez apenas 'vegete', ou viva como um vegetal. Um ser humano ou um ser vivo que sente vontade, desejos e tem consciência de sua condição pode ter um sofrimento muito além da dor física.

Veja o caso de Martin Luther King, um líder da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos da América do Norte. Ele recebeu o Prêmio Nobel da Paz por sua luta pela igualdade de direitos entre negros e brancos naquele país. Propunha a não-violência, tal como outro grande defensor da liberdade, o indiano Mahatma Gandhi. Luther King foi assassinado em 1968, mas sua luta foi vencedora. O racismo perdeu força nos Estados Unidos e em todo o mundo. Luther King certa vez disse: "eu sonhei que meus bisnetos viverão em uma nação e que não serão julgados pela cor da pele mas por seu caráter".

Voltemos ao cenário de Blade Runner. Os replicantes eram usados para as tarefas pesadas, enfadonhas e de grande risco. O que você ainda não sabe é que para evitar problemas com a inteligência artificial destes andróides, eles eram organismos programados para viver apenas quatro anos. Isto mesmo. Seu tempo de vida era de apenas 48 meses.

Uma rebelião de replicantes ocorreu fora da Terra. Os replicantes eram programados para combater, mas foram adqüirindo sentimentos, desejos e vontades. Enfim, eles passaram a querer ter uma vida que não fosse completamente limitada pelo seu programa genético. Queriam principalmente viver suas vidas sem limite de quatro anos. Passaram a voltar para Terra e tentar sobreviver.

Os humanos criaram um esquadrão de elite para capturar e destruir estes andróides, os Blade Runners. Estes caçadores de andróides denominavam o ato de matar um replicante de 'aposentadoria', e não execução. O filme concentra sua história na perseguição que o caçador de andróides, Rick Deckard, interpretado por Harrison Ford, promove de quatro replicantes: Roy, Leon, Pris e Zhora. Eles voltaram a Los Angeles para tentar encontrar o engenheiro genético que os projetou. O tempo de vida dos quatro estava se esgotando. Eles lutavam pela possibilidade de viver mais do que seus programas permitia.

Claro que, como em 'todo filme' norte-americano, ocorrerá um romance entre o caçador e uma andróide, mas isto não importa muito para a nossa aula. É interessante também avisá-los que na versão integral (ou original do filme), o próprio Rick também era um andróide com um programa genético distinto que não seria limitado a uns poucos meses de vida.

Vamos colocar algumas questões chaves. Pode existir ética onde tudo está decidido? Devemos iniciar recordando o que entendemos por ética. Podemos definir ética como um conjunto de valores que nos dizem como devemos viver, ou seja, nos comportar diante das várias escolhas que devemos fazer em nosso cotidiano. A ética está ligada à moral de nossa sociedade. A ética necessariamente tem a ver com o que consideramos como a prática do 'bem' e do 'mal'.

A ética está vinculada às finalidades que acreditamos propor para a humanidade, para nosso convívio social ou para nossa profissão. Um médico é ético quando desempenha com presteza sua missão. Qual é a missão dos médicos? Aliviar a dor e salvar as pessoas. Quando um médico deixa de cumprir esta missão, tendo meios para fazê-lo, ele está sendo anti-ético. Um médico deve buscar salvar todo ser humano, independentemente do juízo que ele faça da pessoa.

Obviamente, existem pessoas que propõem mudanças nesta concepção ética. Mas o que seria da humanidade sem a ética? Já assistimos fatos deploráveis, violentos e tristes sem uma meta de bondade que todos deveríamos cumprir. Nossos objetivos éticos devem guiar nossa prática cotidiana.

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