Conteúdo da Faixa Marrom
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Nesta faixa, buscaremos olhar a mídia de modo crítica, observando onde está a ética na imprensa, na TV, no rádio e na Internet.

Pense como era a vida das pessoas antes de 1950. Tente imaginar o mundo há 55 anos atrás. As crianças não viviam paradas na sala ou em seu quarto na frente da TV. SIMPLESMENTE porque a TV não estava popularizada e praticamente ninguém tinha esse costume. Se as crianças não estavam vendo TV nem usando a Internet, o que elas faziam? Brincavam. Mas é claro. Uma pesquisa feita pela UNESCO apontou que o tempo que as crianças no início do século XXI gastam diante da TV é 50% maior do que o dedicado a qualquer outra atividade do cotidiano. Isto significa que nada prende mais atenção das nossas crianças. Nem jogar bola, brincar na rua, ler, ouvir música e navegar na Internet...

É certo que, nessa situação o PODER DA TV sobre as crianças é muito grande. Poder de comunicar, de falar para ela e de influenciá-la. NINGUÉM passa impunemente mais de 3 horas recebendo informações audiovisuais de um veículo de comunicação sustentado por verbas publicitárias. Não podemos definir com exatidão que tipo de influência as pessoas recebem da TV e das demais mídias, mas podemos afirmar que esta influência existe.

O professor de Ciências da Informação Joan Ferrés, afirmou que a TV é tão importante que está substituindo a função da família. Ferrés disse que a TV tornou-se "ponto de referência obrigatório na organização da vida familiar. Está sempre à disposição, oferecendo a sua companhia a qualquer hora do dia ou da noite. Alimenta o imaginário infantil com todo tipo de fantasias e contos. E, como uma mãe branda, nunca exige nada em troca".

Podemos interpretar isto de alguns modos, mas é certo que a TV está educando de uma determinada forma as crianças, está impondo MODISMOS e comportamentos. As pesquisas têm indicado que os programas preferidos pelas crianças são voltados ao público adulto. Um dos últimos capítulos de uma das séries do BIG BROTHER, da Globo, contou com 22% de sua audiência composta por crianças de 4 a 11 anos.

Você reparou que as meninas parecem cada vez mais mulheres? A programação de TV estaria erotizando precocemente as crianças? É possível avaliar que isto esteja ocorrendo? Vamos aprofundar a questão. A TV e o rádio visam divertir ou informar? A resposta correta é: a TV e o Rádio são veículos de comunicação de massas que visam divertir e informar. Podem servir tanto ao entretenimento quanto à comunicação de notícias. Podem até ser utilizados para a Educação. Como veículos de comunicação ou mídias, a TV, o Rádio e até os jornais atingem milhões de pessoas em uma comunicação de tipo unidirecional. Partem de um transmissor para milhões de receptores. São canais pouco ou nada interativos e visam atingir as amplas massas. Seguem o chamado PARADIGMA DA DIFUSÃO. A Internet é diferente. Ela segue o PARADIGMA DE REDE. Cada ponto pode se comunicar com todos os outros 'nós' ou pontos conectados na rede.

A mídia de massas manipula a sociedade? Vários cientistas da comunicação pesquisam este fenômeno da manipulação. Ele não é tão simples. Por mais que as TV's bombardeiem as pessoas com suas mensagens, tudo indica que a sociedade POSSUI FILTROS que tornam a manipulação menos automática. O professor Ciro Marcondes escreveu: "a audiência é a moeda que se paga por aquilo que se quer ouvir". Disto, podemos entender que são as pessoas que definem o que elas querem assistir ou ouvir. O fato de um programa ser exibido na TV não implica necessariamente que este programa terá a mesma audiência que uma 'novela da Globo'. Com isto, quero dizer que o fenômeno da manipulação existe, mas é bastante complexo.

Um dos grandes problemas da TV não está somente na baixa qualidade dos seus programas de entretenimento que, cada vez mais assistidos por crianças, ajuda a formar um gosto pela cultura cada vez de menor nível. O problema está nos noticiários que também são verdadeiras obras de publicidade. Em vez de informar, tentam formar uma opinião determinada.

O filósofo alemão Jürgen Habermas (alguns o consideram o maior filósofo do século XX), já nos anos 1960, escreveu: "É bem aberta a luta entre um jornalismo crítico e a publicidade jornalística que é exercida apenas com fins manipulativos". Para Habermas, em vez de informar, a IMPRENSA, controlada pelos interesses dos poderosos grupos políticos e econômicos, estava tentando 'fazer a cabeça das pessoas'. Se a publicidade pode gerar nas pessoas a vontade de consumir um produto, poderá conseguir criar opiniões sobre fatos de interesse público e sobre a política?

Vejamos com atenção o que o filósofo Habermas afirmou: "A publicidade passa agora de uma influência sobre decisões dos consumidores também para a pressão política, pois mobiliza um inarticulado potencial de pré-disposição à concordância que, caso necessário, também pode ser traduzida em uma aclamação definida de modo plebiscitário".

Um dos maiores problemas da comunicação de massa é que a mídia confunde o que é um fato real do que seria uma opinião ou interpretação. Quantas vezes ouvimos a pessoa falar 'mas saiu na Veja (revista)!!!'. Basta ter sido publicado na revista Veja para ser considerado verdade. Logo a Veja, que tem em suas façanhas, ter publicado uma capa com informações inverídicas sobre o deputado Ibsen Pinheiro, que foi cassado por isso. A verdade surgiu anos depois. A revista havia publicado uma matéria com informações mentirosas. Pior: juntando fatos com conclusões do editor, misturando realidade com opinião sobre a realidade.

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