Curso forma "hackers do bem" em software livre

17/11/2004 13:56

A 4Linux, empresa de treinamento de software livre, anuncia nesta sexta-feira (05/11) o programa HackerTeen, sistema de ensino de segurança e em preendedorismo para adolescentes de 12 a 17 anos.

O curso utiliza distribuição Linux e é dividido em cinco etapas, simbolizadas pelos níveis de faixas do caratê: branco, amarelo, verde, azul e preto. Na primeira etapa (branca) o treinamento envolve somente web por 24 horas, mais 12 horas de auto-estudo e o acompanhamento de uma pedagoga com base no método Paulo Freire.

Cerca de 20% do curso é presencial e os alunos participam de desafios de RPG que envolvem recursos de mangá (história em quadrinhos japonesa), além de palestras. Os quadrinhos japoneses, na realidade, estão presentes em praticamente todo o visual do curso, inclusive nas apostilas.

"Com um programa como esse é possível dar uma opção construtiva e não destrutiva para o uso da energia dos jovens, que hoje se tornam crackers por razões como reconhecimento e integração", afirma Jon A. Maddog Hall, presidente e diretor executivo da Linux International, que esteve no Brasil acompanhando o lançamento do programa ao qual também oferece apoio.

Conforme explica Marcelo Marques, um dos sócios da 4Linux, e estrategista do Hacker Teen, a idéia é direcionar o potencial de jovens ligados à tecnologia e jogos para o mercado de software livre de uma forma envolvente e com uma linguagem atraente.

"Na faixa amarela o desafio se baseia no tema do Exterminador do Futuro. Como vamos ensinar empreendedorismo, na faixa preta o aluno deve desenvolver um plano de negócios", diz o executivo, que espera exportar o HackerTeen nos próximos três anos, sendo que o Canadá já é um dos interessados.

Ainda segundo Marques, o melhor aluno da faixa preta terá emprego garantido na 4Linux, que também pretende empregar todos os seus hackers teens. Entre as empresas e instituições já interessadas nos formandos do programa estão a IBM, Petrobras, Hewlett-Packard, e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que atua no Brasil junto ao FBI.

O lado oculto da força

Os telecentros de inclusão digital do governo também têm uma participação ativa no programa, que inclui a oferta de bolsas de estudo do HackerTeen a jovens carentes, explicou Sérgio Amadeu da Silveira, diretor-presidente do ITI (Instituto nacional de Tecnologia da Informação), que também compareceu ao lançamento do programa de ensino.

"Este projeto pode nos ajudar a realizar outro projeto de incluir quem não está incluído digitalmente. Como vamos construir um país que não seja só um consumidor de produtos dos Estados Unidos se não instigarmos o jovem a conhecer aritmética, software etc", declarou Amadeu.

Segundo o diretor do ITI, uma recente pesquisa divulgada pelo Ministério da Educação revela que 52% dos alunos da 4ª séria do primeiro grau não têm noções de aritmética.

"O projeto pode ajudar o jovem a conhecre a essência do que ele usa com o conceito de que isso tem que ser compartilhado. Já no modelo de software proprietário somente um cracker pode entrar (...). Então, esse projeto vai tirar o jovem do lado oculto da força e ensinar a luz (...). Se vivemos na sociedade do conhecimento, então compartilhar conhecimento é distribuir oportunidades", concluiu Amadeu.

O trabalho de seleção dos alunos do HackerTeen, de acordo com Marques, foi baseado no potencial de formação do jovem para o mercado. "Em dois meses, o site do HackerTeen recebeu 1.600 cadastros, incluindo pessoas de 8 a 40 anos".

A duração do curso é de um ano e meio e o investimento total de R$ 13 mil. As primeiras turmas, entretanto, serão subsidiadas pelo programa Reinventando a Educação, da IBM e têm início em 29/11 no Centro Público de Formação Profissional de Tecnologia da Informação em Software Livre, em Santo André (SP), e em 30/11 no Centro de Tecnologia Aplicada do Rio de Janeiro, fundação sem fins lucrativos que oferece capacitação em informática a jovens carentes.

Ambas as turmas do HackerTeen têm 12 alunos, que contam com o suporte de 14 pessoas envolvidas diretamente com o curso.

Fonte: IDG Now